FMI reduz projeção de alta do PIB brasileiro para 1,6% em 2026
21 de janeiro de 2026Relatório atribui o recuo ao patamar elevado dos juros e projeta avanço moderado nos anos seguintes
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026. A nova estimativa é de 1,6%, uma queda de 0,3 ponto porcentual em relação ao relatório anterior, divulgado em outubro. Apresentado na última segunda-feira, 19, o documento atribuiu a desaceleração brasileira ao nível elevado da taxa básica de juros do país, a Selic, mantida em 15% ao ano desde agosto de 2025. Esse patamar, o mais alto em duas décadas, reflete a política monetária adotada para conter a inflação acumulada ao longo do governo Lula, que aumentou sobremaneira o gasto público, impactando preços de produtos e serviços. Mesmo com o recuo previsto para este ano, o FMI ajustou para cima as projeções do Brasil nos anos vizinhos. Em 2025, o PIB teria crescido 2,5%, e em 2027, deve avançar 2,3%.
FMI projeta crescimento global
O FMI projeta avanços moderados para a economia global. Nesse sentido, destacam-se os efeitos da inteligência artificial (IA) e a retomada de conflitos comerciais em um cenário de incerteza. Os dados foram acompanhados de uma avaliação mais ampla sobre o cenário global, com revisões positivas para países como os Estados Unidos e a China, e estabilidade nas previsões para a zona do euro e o Japão. Nesse cenário, o crescimento estimado para 2026 é de 3,3%. O número representa um aumento de 0,2 ponto percentual em relação à projeção anterior, mas se mantém no mesmo patamar calculado para 2025. A estabilidade, segundo o FMI, reflete o impulso gerado por investimentos em tecnologia e pela adaptação dos mercados às tensões comerciais. Desde janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, implantou tarifas amplas que afetaram aliados e adversários, elevando os custos logísticos e pressionando cadeias de abastecimento. Posteriormente, o governo norte-americano firmou acordos com parceiros estratégicos e estabeleceu uma trégua temporária com a China. As medidas ajudaram a conter os impactos mais severos das restrições comerciais. O FMI avaliou que, mesmo diante desses choques, o setor privado demonstrou capacidade de adaptação, impulsionado por estímulos fiscais e monetários. Além disso, o aumento dos investimentos em IA reforçou o crescimento nos EUA, pois compensou os efeitos de paralisação do governo federal. Para 2026, o FMI projeta crescimento de 2,4% para os norte-americanos, uma elevação de 0,3 ponto em relação ao último relatório. Já a zona do euro aparece com avanço estimado de 1,3%, enquanto o Japão deve crescer em ritmo mais lento. A China e a Índia mantêm desempenho considerado sólido para os padrões dos mercados emergentes.
Com informações Revista Oeste


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