Banco Central mantém taxa de juros em 15% ao ano

Banco Central mantém taxa de juros em 15% ao ano

29 de janeiro de 2026 Off Por Editor



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    O Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, repetindo esse patamar pela quinta reunião consecutiva do Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão foi definida ontem quarta-feira, 28. A medida, que já era aguardada pelos agentes do mercado financeiro, ocorre mesmo diante da recente queda da inflação e do dólar. Com essa decisão, a Selic permanece em seu maior valor desde julho de 2006, período em que estava em 15,25% ao ano. O Copom sinalizou que poderá iniciar um ciclo de cortes a partir do encontro de março, caso o cenário inflacionário siga controlado e não haja imprevistos na economia.

    Votação unânime

    No comunicado divulgado, o BC explicou que “o comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.” A votação foi unânime, mesmo com dois cargos vagos no colegiado. Os mandatos de Renato Gomes e Paulo Pichetti, diretores de organização do sistema financeiro e de política econômica, terminaram no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só indicará os substitutos depois do retorno do Congresso, em fevereiro. A Selic passou a ser elevada a partir de setembro de 2024. O índice atingiu 15% em junho do ano passado e permanece nesse nível desde então.

    Projeções futuras do Banco Central

    A Selic é a principal ferramenta do Banco Central para regular a inflação mensurada pelo IPCA. Em 2025, o índice fechou em 4,26%, o menor patamar anual desde 2018, voltando ao limite superior da meta contínua. Pelo novo modelo de meta contínua, vigente desde janeiro, a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional está em 3%, com margem de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo, estabelecendo limites entre 1,5% e 4,5%. Diferentemente do sistema anterior, a verificação da meta agora considera o IPCA acumulado em 12 meses, ajustando o período de apuração a cada mês. Em janeiro de 2026, por exemplo, a inflação acumulada desde fevereiro de 2025 é comparada à meta e ao intervalo permitido. No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o BC previu IPCA de 3,5% para 2026, mas informou que revisará os números, considerando as oscilações do dólar e da inflação. O banco apresentará uma nova projeção no fim de março. O Boletim Focus, levantamento semanal do BC com instituições financeiras, aponta que a inflação deve fechar 2026 em 4%, ligeiramente acima do teto da meta. Há quatro semanas, a expectativa era de 4,05%.

    Previsão para o PIB

    O BC elevou para 1,6% a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, segundo o relatório divulgado em dezembro. No mesmo Boletim Focus, o mercado estima crescimento maior, com previsão de aumento de 1,8% do PIB em 2026. A Selic serve de referência para operações com títulos públicos e para outras taxas praticadas no país. Quando o BC reduz os juros básicos, o crédito fica mais acessível e a produção e o consumo ganham estímulo, mas o controle da inflação pode se enfraquecer. Para baixar a Selic, o BC precisa garantir que não há risco de alta dos preços.

    Com informações Revista Oeste