Confiança dos consumidores segue em recuperação em Chapecó

Confiança dos consumidores segue em recuperação em Chapecó

5 de agosto de 2020 Off Por Editor



  • O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado para o município de Chapecó-SC, registrou 72,74 pontos neste mês de agosto. Houve um aumento de 21,77% em comparação ao mês de julho, já em relação ao desempenho do
    índice nos últimos 12 meses, foi registrada uma redução de -23,45%.

    O curso de Ciências Econômicas juntamente com o Sindicato do Comércio – Sicom, por meio do Sicom pesquisas, divulgam o boletim com os resultados para o Índice de Confiança do Consumidor (ICC). A pesquisa foi adaptada da Survey of Consumers da Michigan University2 para a realidade do município de Chapecó e utiliza como base o mês de abril de 2013³.

    Neste mês, percebeu-se uma ampliação no otimismo da população, enquanto houve diminuição no pessimismo e, principalmente, na incerteza. Ao contrário do mês passado, os avanços das pesquisas por uma vacina do Covid-19
    parecem conectadas com crescimento na confiança deste mês, já que apenas 26,23% dos respondentes demonstraram que estão mais preocupados com o vírus, enquanto 31,15% afirmaram que a sua preocupação diminuiu e 40,16% permaneceram neutros.

    Outro fator de influência pode ser ainda o auxílio emergencial do Governo Federal, que em julho confirmou-se que o valor do auxílio não seria fracionado, mas sim que continuaria como parcelas de R$ 600. Conectado a isso, neste mês
    foram percebidas elevações na média de renda dos respondentes, assim como na média de gastos extras. Ainda, um número menor de respondentes apontaram redução na sua renda pelos efeitos da pandemia (-6,9%), também havendo
    menos apontamentos de cortes em gastos extras (-13,5%) e de cortes em gastos essenciais (-6,2%), indicando uma adaptação à nova realidade posta, ou seja, estabilização.

    O resultado deste mês é positivo pois o retorno da confiança é um fator importante para a retomada da economia. Ainda assim, cabe destacar que a pontuação do ICC continua em um nível historicamente baixo, sendo o quarto
    pior resultado de toda a série. De acordo com a Profª Cássia H. Ternus, “Embora os índices apontem para
    condições de recessão, é muito importante analisar a evolução dos dados. Percebe-se que o choque inicial causado pela Covid-19, especialmente pelas incertezas e não pelo aspecto econômico em si, foi diluído ao longo do tempo,
    possibilitando a adaptação das expectativas. Alguns fatores que contribuíram para o resultado positivo em Chapecó-SC foram: Auxílio emergencial, taxa Selic baixa (2,25%) incentivando investimentos (especialmente na construção civil), agroindústrias produzindo e exportando acima da média, e, consequentemente, o benefício espraiado para outros setores da atividade econômica”.

    Neste mês, a amostra da pesquisa foi composta por 66 mulheres e 56 homens de diversas faixas etárias e classes de renda. A análise é segmentada também por características individuais dos consumidores: gênero, idade e renda.
    O levantamento foi realizado entre os dias 16 e 28 de julho, por meio do Google Formulários.

    A representação das oscilações mensais do Índice de Confiança do Consumidor é apresentada no Gráfico, a seguir.

    Em uma análise dos grupos que compõem o ICC, as maiores variações positivas foram: consumidores que possuem renda superior a R$ 4.000,00 (54,79%), acompanhado pelo grupo das pessoas que têm entre 45 e 65 anos (43,80%) e em seguida pelos homens (29,65%). No sentido oposto, apenas um grupo registrou variação negativa, e este é o grupo das pessoas com renda inferior a R$ 2.000,00 (-6,20%).

    O comportamento dos consumidores segmentado por características pode ser observado na Tabela, a seguir.

    Neste mês de agosto, a média da renda dos participantes da pesquisa resultou em R$ 4.243,92, havendo elevação se comparada ao mês anterior (R$ 2.361,50). A expectativa de gastos extras também registrou crescimento, em julho
    essa expectativa era de R$ 390,72, e neste mês, ela é de R$ 393,42. A expectativa de gastos pela internet apresentou crescimento pelo quarto mês consecutivo, sendo de R$ 226,13 em julho e R$ 388,31 neste mês, atingindo o segundo maior valor de toda a série histórica, perdendo apenas para maio de 2018. No decorrer dos últimos quatro meses, registrou-se um crescimento contínuo na expectativa de gastos pela internet, indicando que as pessoas estão alternativamente procurando adquirir produtos pela internet em adequação as barreiras impostas pelo Covid-19.

    Cabe ressaltar que neste mês o crescimento nas compras pela internet foi ainda mais elevado (71,72%) e isso provavelmente tem relação com a disponibilização do auxílio emergencial e com a data comemorativa do dia dos pais neste mês de agosto, que acaba estimulando um maior consumo por conta dos presentes.

    COMPORTAMENTO DOS SUBÍNDICES

    A partir da descrição do comportamento do Índice de Confiança do Consumidor, parte-se para a análise dos principais resultados dos subíndices que o compõe: Índice de Condições Econômicas (ICE) que mensura como os consumidores avaliam suas finanças e a conjuntura do país comparando-as com os últimos 12 meses, nele o consumidor compara sua atual situação com a do passado recente, avaliando de forma positiva, igual ou negativa. Índice de Expectativas de Consumo (IEC) avalia quais são as expectativas do consumidor com relação aos próximos 12 meses, ou seja, como o consumidor avalia suas oportunidades de negócios, consumo e de conjuntura nacional para o futuro, fornecendo uma previsão do comportamento da demanda agregada municipal nos próximos meses.

    Além destes, realiza-se o cálculo do Índice de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (IEIC), que avalia o grau de endividamento e inadimplência dos consumidores chapecoenses no mês de referência da pesquisa, sendo útil para avaliar a capacidade de pagamento e aquisição de novas dívidas por parte dos agentes econômicos.

    O Índice de Condições Econômicas (ICE) registrou um novo aumento e alcançou 71,64 pontos neste mês de agosto, uma variação de 19,66% em relação ao mês passado. Os resultados indicam que os consumidores estão mais confiantes com relação às suas finanças e às condições para aquisição de bens duráveis, se comparado ao mês de julho.

    O Índice de Expectativas de Consumo (IEC) apresentou a variação de 23,06% em comparação a julho, chegando aos 73,42 pontos. O IEC mensura o sentimento dos consumidores com relação ao futuro, tanto da situação econômica pessoal quanto do país como um todo. Dessa forma, esse aumento revela que os consumidores estão mais confiantes em relação aos próximos meses e anos. Embora tenha havido uma considerável diminuição na incerteza dos consumidores, ainda foi captada uma quantidade acima da média de participantes que responderam não saber como estará a situação financeira familiar e do país como um todo no futuro. Esse padrão de resposta não é computado no cálculo dos indicadores, mas reflete o cenário de incerteza que ainda existe.

    O Índice de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (IEIC) permite sondar o nível de obrigações a pagar ou em atraso que o consumidor possa ter, como por exemplo: cartão de crédito, crédito em lojas, crédito consignado, cheque especial, financiamento de carro/moto, financiamento casa/apartamento e outras dívidas. Neste mês de agosto, verificou-se uma variação de 10,57% na pontuação, levando o IEIC aos 136,65 pontos. Este resultado é positivo e está alinhado com a diminuição do nível de endividados e inadimplentes do município.

    A Tabela a seguir apresenta as variações dos subíndices.

    Dentre os 122 consumidores entrevistados, 72,13% têm alguma obrigação a pagar. Entre os endividados, 6 consumidores (6,74%) também revelaram que estão inadimplentes, ou seja, com obrigações em atraso, especialmente com cartão de crédito e crédito em lojas.

    GASTOS COM O DIA DOS PAIS

    Em agosto comemora-se o Dia dos Pais e os consumidores chapecoenses indicaram suas preferências quanto ao produto que irão adquirir, local que serão realizadas as compras e forma de pagamento.

    Nesta data comemorativa, dentre os consumidores entrevistados, 58,20% disseram que iriam presentear alguém. Em média, os consumidores pretendem gastar R$ 191,52 com o dia dos pais neste ano, que é maior que o valor encontrado no ano de 2019 (R$ 102,14). Apesar do volume de gasto ser maior, no ano anterior 58,6% dos consumidores pretendiam adquirir seus produtos com dinheiro, já em 2020, o cartão de crédito passou a ser a forma preferida de pagamento (45,57%), seguido pelo cartão de débito (12,0%), enquanto 25,32% pretendem realizar o pagamento em dinheiro, além do mais, apenas 1,27% dos participantes indicaram interesse pelo pagamento em boleto ou crediário da loja. Os presentes mais populares se concentram em artigos de vestuário, perfumes e bebidas.

    HÁBITOS DE CONSUMO EM MEIO AO COVID-19

    Conhecer os hábitos dos consumidores é fundamental para que recursos sejam alocados da melhor forma possível nas empresas e para entender e explicar de forma mais precisa os fenômenos econômicos de um local. Com as mudanças impostas pelo novo coronavírus, buscou-se identificar se os hábitos de consumo dos chapecoenses estão sendo modificados.

    A pesquisa deste mês revelou que apenas 3,8% dos consumidores não alteraram qualquer hábito até o momento. A ampliação dos cuidados de higiene foi a mudança mais apontada pelos participantes (88,5%), seguido pelo aumento
    nas atividades online (68,5%), maior quantidade de compras pela internet (33,8%), e aumento na busca por promoções (27,7%). Além do mais, 41,5% dos participantes deixaram de consumir algum(ns) bens ou serviços que tinham o
    hábito de consumir antes do alastramento da pandemia.

    Outro dado interessante é que 60,0% dos respondentes afirmaram que irão manter pelo menos um desses hábitos após o fim da pandemia, enquanto apenas 10,0% confirmaram que não manterão qualquer novo hábito. Isso indica que
    algumas adaptações desse período não são apenas passageiras, mas se consolidarão como novos hábitos de consumo no futuro.

    Sobre a influência na vida financeira dos consumidores, 61,5% deles asseguraram que não houve alteração na sua renda em decorrência da pandemia, enquanto 29,2% constataram diminuição na mesma. Levando isto em conta, 40,0% dos participantes revelaram ter realizado cortes em gastos extras, enquanto 7,7% demonstraram terem cortado gastos essenciais e 38,5% ainda mantém o nível de gastos do período pré-pandemia.

    Com informações Curso de Ciências Econômicas/Unochapecó e Sicom Pesquisas.