Brasil vai produzir menos picanha em 2026

Brasil vai produzir menos picanha em 2026

14 de dezembro de 2025 Off Por Editor



  • País aumentou o abate das vacas, o que reduz os nascimentos de bezerros e a oferta de carne

    A cada dez picanhas consumidas no mundo, duas são de gado criado em pastos brasileiros. O país é referência quando o assunto é a pecuária bovina, mas 2026 deve ser um ano de queda da produção nacional desse tipo de carne — e recuperar o ritmo não é uma tarefa fácil. Segundo a Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária, a produção de carne bovina do Brasil em 2026 deve ser 4,5% menor, em comparação com o ano anterior. O órgão atribui o resultado à dificuldade de reposição de animais. Em outras palavras, há menos animais no pasto. Ao longo de 2025, os abates cresceram — em especial o de vacas, que aumentou 45%.

    Do pasto ao prato, a produção de carne no Brasil

    A gestação de um bezerro tem algumas semelhanças com a de seres humanos. Em primeiro lugar, leva o período de nove meses. Além disso, a vaca tende a gerar um bezerro por vez nesse período. Os touros, por outro lado, podem fecundar várias fêmeas nesse mesmo período. Assim, as matrizes são mais difíceis de ser substituídas. Enquanto com o macho basta aumentar o volume de sêmen, com a fêmea é necessário tanto o óvulo quanto o animal — e a reposição de um espécime abatido pode levar anos. Com tecnologia e melhoramento genético, algumas fêmeas da raça Jersey conseguem tocar uma gestação a partir do 11º mês de vida. Mas isso é exceção no Brasil. No país, os animais mais adaptados são das raças zebuínas, em especial o nelore. Trata-se de um gado de cor branca, com origem na Índia. Nesse caso, a maturidade para começar a procriar pode levar até três anos. Veterinário da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Luizinho Caron acredita que, no caso do rebanho nacional, é seguro estimar a maturidade para a procriação em até dois anos. “É possível generalizar e projetar para a idade entre 13 e 24 meses”, disse. “Mas há as exceções para mais ou para menos; também depende da condição nutricional do animal.” Depois de a fêmea atingir a idade de reprodução, ela pode gerar um bezerro por vez. Daí por diante, primeiro acontecem os nove meses de gestação. Na sequência, o bicho leva 24 meses para ficar pronto para o abate. Cada animal dará origem a, no máximo, duas peças de picanha. E isso somente depois de 33 meses (quase três anos), entre a concepção e o frigorífico. Ainda falta o tempo para o corte chegar ao açougue e para, finalmente, ser servido à mesa.

    Com informações Revista Oeste